Que Portugal para o século XXI?
Quando, em 1733, se deu a crise da sucessão ao trono da Polónia, parte da Europa encontrou no irmão mais novo de D. João V a solução para o problema. D. Manuel de Bragança vivia há 20 anos entre as diversas cortes europeias e podia ser o homem certo para agradar aos dois lados em contenda. Tudo parecia correr às mil maravilhas até que a proposta foi apresentada em Lisboa e D. João V a recusou sem grandes hesitações. E a razão foi simples: o monarca português ter um irmão rei da Polónia implicava um maior envolvimento de Portugal no leste da Europa. Ora, a prioridade portuguesa era outra. Mais: a tradição portuguesa não era essa.
Desde a sua fundação que Portugal é marcado pela tensão entre o continente e o mar, entre as ameaças do interior e a promessa de libertação e independência do oceano. Jorge Borges de Macedo demonstra-o de forma sublime no seu estudo de geopolítica, ‘História Diplomática Portuguesa, Constantes e Linhas de Força’, publicado pelo Instituto de Defesa Nacional. À distância de nove séculos podemos concluir que a resposta encontrada, difícil porque equilibrada, esteve no meio. Períodos atlanticistas alternaram-se com outros mais europeístas. Para não irmos tão longe basta recordar o século XIX e a obsessão pela modernidade europeia, único meio de o país vencer o atraso endémico relativamente aos estados europeus mais ricos, trocada depois, no último quartel desse século, pela obsessão do império como único modo de o país se regenerar e voltar à grandeza de outrora, substituída em........
