As narrativas têm dias
Dos três embaixadores (ministros plenipotenciários, se quisermos ser mais correctos) portugueses no Congresso de Viena, nos anos de 1814 e 1815, António Saldanha da Gama era quem mais se diferenciava. Não necessariamente pelas suas qualidades, mas pelo que representava. Os outros dois, Pedro de Sousa Holstein (futuro Duque de Palmela) e Joaquim Lobo da Silveira, tinham percursos muito diferentes. Palmela nasceu em Turim e chegou a Portugal pela primeira vez com 14 anos. Das várias línguas europeias que falava, o português era das que dominava menos bem. Já Lobo da Silveira veio a tornar-se um miguelista e vivia na Prússia, onde casou, teve filhos e morreu. Tanto Pedro de Sousa Holstein como Joaquim Lobo da Silveira eram portugueses europeus e representavam um Portugal que ainda não existia. Saldanha da Gama constituía um caso à parte. Nascido em Lisboa em 1778, em pleno Antigo Regime, foi para o Brasil em 1802 (antes das cortes) onde exerceu cargos públicos até 1807, ano em que foi nomeado governador de Angola. Regressou ao Brasil três anos mais tarde, onde ficou até que foi nomeado para representar Portugal nas negociações de Viena que dariam origem à nova balança do poder........
