A hipocrisia das lágrimas tardias
Há uma coisa que se repete em quase todos os funerais: as pessoas que menos estiveram são, muitas vezes, as que mais choram.
Enquanto a vida acontece, com a sua desordem, as suas falhas, as suas exigências, a presença é adiada. Não se liga. Não se aparece. Não se pergunta. A proximidade dá trabalho. O afeto exige tempo. A empatia cansa. Fica sempre para depois.
Nos corredores de hospital não há filtros nem frases bonitas. Há cadeiras de plástico, cheiro a desinfetante e pessoas a receber más notícias sozinhas. É ali, longe das câmaras e das redes sociais, que se percebe quem realmente está e quem nunca esteve.
Mas quando alguém morre, tudo muda.
De repente, surgem os olhos vermelhos, as vozes embargadas, as........
