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A Europa depois de Orbán

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13.04.2026

Ao longo dos últimos anos, a Hungria de Orbán tornou-se muito mais do que um parceiro difícil. Tornou-se, na prática, o cavalo de Tróia da União Europeia. Beneficiou de tudo o que a pertença à União oferece, ao mesmo tempo que usou esse lugar para travar, desgastar e descredibilizar o próprio projeto europeu. Isso viu-se de forma especialmente clara na política para a Ucrânia, nas sanções à Rússia e nas sucessivas ameaças de veto em matérias orçamentais e estratégicas.

É verdade que foi sob Orbán que muitos europeus começaram a questionar mais abertamente o princípio da unanimidade. Mas convém sermos precisos, não porque a discordância nacional seja ilegítima, nem porque a União deva desejar apenas governos politicamente alinhados com a maioria em Bruxelas. A democracia europeia inclui alternância, conflito e divergência. O problema começou quando o veto deixou de aparecer como um último recurso para proteger um interesse nacional vital e passou a ser usado como método recorrente de pressão, atraso e troca política. Foi essa instrumentalização que pôs a unanimidade sob suspeita, não a sua existência em si.

A dificuldade nunca esteve no princípio da unanimidade, mas no uso abusivo que dele foi feito como instrumento de chantagem política. A regra da unanimidade existe porque há matérias em que a soberania nacional, a legitimidade democrática e a sensibilidade estratégica exigem que nenhum Estado seja atropelado. É por isso que ela continua a........

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