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Já se viu com 100 anos? A ciência sugere que devia

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Nos últimos tempos, é provável que se tenha deparado com fotografias de como as pessoas serão aos 100 anos: um retrato de hoje, lado a lado com uma versão gerada por inteligência artificial de nós próprios, décadas mais tarde. O exercício multiplicou-se e, à primeira vista, parece pouco mais do que uma curiosidade tecnológica. No entanto, a distância entre o “agora” e o “cem” torna-se, de repente, visível, quase palpável – e essa mudança de escala importa mais do que parece.

Discutimos longevidade quase sempre em termos de sistemas: pensões, saúde, demografia. Mas o verdadeiro desafio é individual. Como ajudamos as pessoas a imaginarem-se, verdadeiramente, a envelhecer ao longo de décadas para as quais a cultura nunca as preparou? A ciência começa a dar pistas concretas sobre por que razão esta pergunta é tudo menos retórica.

Um estudo, publicado em março deste ano por Becca Levy e Martin Slade, desafia uma das crenças mais enraizadas sobre o envelhecimento: a de que a velhice é, inevitável e predominantemente, uma fase de declínio e de perda de capacidades. Os autores acompanharam ao longo de até 12 anos mais de 11 mil participantes através do Health and Retirement Study, um dos maiores estudos longitudinais sobre a população........

© Observador