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Uma vivência pessoal sobre o valor da palavra

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Escrevo este texto não para contar apenas a minha história. Escrevo porque acredito que  ela representa a realidade silenciosa de muitos pequenos proprietários que, ao contrário  da imagem frequentemente construída, não são especuladores, nem investidores, nem  fundos imobiliários. São pessoas comuns que trabalharam uma vida inteira para adquirir  um único imóvel e que hoje vivem a amarga sensação de que cumprir a lei, agir de boa fé e confiar nos outros se transformou numa fragilidade.

Há oito anos tomei uma decisão que julgava correta.

Uma pessoa encontrava-se numa situação difícil. Pretendia comprar o meu apartamento,  mas precisava de tempo para resolver a sua vida.

Em vez de escolher a solução financeiramente mais vantajosa, escolhi a solução que me  parecia moralmente correta.

Reduzi o preço de venda.

Aceitei uma renda muito inferior ao valor de mercado.

Fiz tudo aquilo que hoje nenhum consultor financeiro aconselharia.

Fi-lo porque acreditava que ajudar alguém era um dever e que a confiança ainda tinha  valor.

Hoje continuo proprietária dessa casa.

Mas não posso viver nela.

Enquanto isso, eu e o meu marido fomos perdendo praticamente tudo.

Fomos vítimas de uma burla financeira que destruiu o património construído durante ........

© Observador