O Papa em Angola e as ONGs de vitrine
A recente suspensão da ONG brasileira Zuzu for Africa pelo Governo Provincial do Bengo não deve ser lida apenas como um incidente burocrático. O caso representa o estalido de uma bolha ética numa era onde a solidariedade se transmutou num produto de consumo digital de alta rentabilidade. Ao travar uma organização célebre por levar influenciadores para cenários de vulnerabilidade, o governo angolano pressionado por vozes como C4 Pedro e Sara Cuca, expôs a ferida do “volunturismo”. Este fenómeno transforma o sofrimento em estúdio, onde o impacto real é secundarizado perante a necessidade de validar a virtude de quem ajuda através do ecrã. Para quem, como eu, cresceu com o eco de We Are the World e carrega Angola na raiz, esta “pornografia da sobrevivência” é um murro no estômago: o sonho de uma mobilização global pela justiça foi sequestrado por um algoritmo que exige a exposição da miséria para libertar o........
