Os trabalhos do “trabalho” desde o humano
Futuríveis leitores amigos: conforme o título deste texto pretende dar a entender, irei trazer até vós, com as palavras que aqui começam a ser atiradas aos “deuses”, umas reflexões sobre os desafios, talvez hercúleos, do entendimento do “trabalho” enquanto expressão do ser humano. Faço-o no mesmo contexto motivacional e redaccional que outrora apresentei num outro texto, para o qual peço a vossa atenção, de forma a poder avançar sem mais delongas para as supraditas reflexões.
Sei bem que arriscar-me-ia a chegar a Belém se, havendo agora uma eleição para o cargo de Presidente da República Portuguesa, pudesse contar com os votos de todas as ilustres pessoas que trataram da temática do “trabalho” nos últimos meses, também devido à gorada revisão do Código do Trabalho. Felizmente, não tenho essa pretensão, pois teria que passar o tempo sem fazer o que quer que fosse, pois teria sido isso que me teria levado a ser eleito.
Face ao apontado no parágrafo anterior, seria convidativo fazer alguma forma de contorcionismo mental, para dizer algo de minimamente original. Não o farei, pois dificilmente escaparia à tentação de enveredar por alguma forma de “bruxedo” imaginativo apoetado e, assim e imediatamente, apatetado.
Nada, pois e na minha intenção, do que quer que seja que possa levar a que digam de mim o que Horácio, numa das primeiras descrições históricas da figura da “bruxa”, escreveu nas suas “Sátiras”: «pessoalmente, não são os ladrões e as criaturas selvagens habituais que assombram o local que me causam preocupação e angústia, mas sim aqueles que perturbam as almas humanas com as suas drogas e os seus feitiços» (1, 8, lin. 17-20a) [tradução minha].
Buscarei, isso sim, ser mais desprovido de saliências do que a seda intocada, mas, não obstante, ir àquele “fundamental” que tantas vezes vejo esquecido quando se fala do “trabalho”.
Ora bem, enquanto teólogo cristão, e sem nunca pôr de lado a mensagem de Jesus em detrimento de discursos moralistas filosóficos cheios de escorbuto espiritual, creio ser importante referir que o “trabalho” é uma verdadeira colaboração com Deus-Criador e o cumprimento da missão identitária do homem (varão e mulher). Se assim é, todo ele deve estar ao serviço da libertação da pessoa; ao serviço da consumação de todas as suas dimensões que têm no espírito a sua suprema realidade e que, assim, deve ser o farol de toda a vertente económica a que o “trabalho” pode estar........
