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Odiar o ódio: um Manual interdisciplinar

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Por todo o mundo civilizado, há milhares de pessoas especializadas na investigação e desenvolvimento da imuno-oncologia, da cirurgia robótica e da medicina regenerativa. Por sorte, também há quem se preocupe com coisas sérias e ocupe o expediente a estudar o “discurso de ódio”. Algumas destas boas almas lançaram na passada quinta-feira a obra seminal “Discurso de Ódio: Manual de Apoio e Glossário”, coordenado pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) e produzido por três insignes académicos da Universidade de Aveiro e, claro, do ISCTE, além da colaborações de prestigiados nomes da ILGA e do SOS Racismo. Promete.

E cumpre. Se alguém duvida da importância de semelhante empreitada, os autores elucidam: “O objectivo é ajudar os cidadãos a compreenderem como se manifesta o discurso de ódio, o seu impacto nas vítimas e testemunhas, a partir de uma perspectiva interdisciplinar e contextualizada.” Só neste sumário temos “perspectiva interdisciplinar”, temos “contexto” e temos “vítimas”, o que já é meio caminho andado para se concluir que o assunto é da maior pertinência. Mas o que consagra de uma vez a importância do “Manual” é a respectiva capacidade de “ajudar os cidadãos a compreenderem”, leia-se a enfiar um pouco de sensatez nas duras cabeças das pessoas comuns. Dado ser bastante improvável que os simplórios consultem voluntariamente o “Manual” e........

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