O fim do mundo em calções de banho
Há dias, li algures que a onda de calor matara sete pessoas em França, cinco delas por afogamento. Atribuí o absurdo a descuido do redactor da notícia e segui em frente. Sucede que em frente a notícia e o absurdo repetiam-se em todos os sites informativos: sete mortos em França por causa do calor, dos quais cinco afogados. De site em site, acabei por distracção no tenebroso “The Guardian”, que ao menos citava directamente o autor da frase, um porta-voz do governo francês em declarações à estação televisiva TF1. Lembrei-me da época da Covid, quando as preposições “de” e “com” se tornaram intermutáveis. Para efeitos de divulgação pública, era indiferente se uma pessoa morria “de”, por causa da Covid, ou “com”, porque casualmente tinha Covid no momento em que fora apunhalada pelo cunhado. O que importava era esticar os números para estimular o respectivo impacto junto das audiências. E para melhor “legitimar” a gravidade da maleita.
No caso dos afogados no calor, a maleita são as alterações climáticas, que logo inúmeros especialistas incluíram na certidão de óbito dos tais cinco franceses que, se removermos a histeria, aparentemente não sabiam nadar. Dado o precedente, em época de chuva será fácil culpar as alterações climáticas pelo atropelamento do sujeito que fugia dos pingos – e não o condutor distraído a trocar mensagens no........
