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É a estupidez, estúpido

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12.09.2026

No Verão de 2008, a revista “Atlantic” trazia para a capa o título de um artigo: “O Google Está a Tornar-nos Estúpidos?” Para evitar suspenses desnecessários, a resposta é “sim”. Quanto ao artigo, escrito pelo jornalista Nicholas Carr, tinha como subtítulo “O que a Internet Faz aos Nossos Cérebros” e usava o Google enquanto símbolo genérico da chamada “era digital”. As conclusões, que aqui resumo imenso para que não escapem sequer aos viciados no TikTok, previam que o uso constante da Internet provocaria alterações neurológicas, com consequências drásticas nas capacidades de atenção e concentração. Ou seja, às cabecinhas crescentemente dependentes da pesquisa rápida e dos saltinhos entre páginas “web”, cada vez seria mais difícil ler textos longos e, Deus as livre, interpretá-los.

Grosso modo, Carr acertou em cheio, e fê-lo antes da omnipresença do “online” e da disseminação do “smartphone” e do advento das “redes sociais” e do tempo em que uma “storie”, uma fotografia vertical acompanhada de sanfona e frase tonta, constitui o exacto oposto de uma história. Em 2008, ainda não havia casais mudos à mesa do restaurante, entretidos a contemplar as maravilhas embutidas nas entranhas do iPhone. Ou criancinhas, frequentemente com 50 anos, com inquestionável talento para, horas a fio, deslizarem o polegar no ecrã cerca de 0,6 segundos após o início de um vídeo de 3. Ou os portentos do convívio social, avessos a conversas arcaicas mas que são a alma da festa nos 86 “grupos” do WhatsApp onde trocam........

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