menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A IA não devia chegar antes da inteligência humana

21 0
01.08.2026

Há uma ideia incómoda que começa a impor-se no debate sobre a inteligência artificial: talvez estejamos a colocar ferramentas demasiado poderosas nas mãos de pessoas que ainda não desenvolveram as capacidades necessárias para as utilizar. A provocação é simples: antes de recorrer à inteligência artificial, talvez fosse conveniente possuir alguma inteligência humana treinada.

A recente sugestão na revista The Economist de que a inteligência artificial deveria ser usada apenas depois dos 40 anos não deve ser interpretada literalmente. Não se trata de estabelecer uma idade mínima, como acontece com a condução, o álcool ou o direito de voto. Trata-se de reconhecer que a maturidade intelectual, a experiência e o conhecimento acumulado são indispensáveis para avaliar aquilo que uma máquina produz.

A inteligência artificial não pensa por nós. Produz respostas plausíveis, organiza informação, imita estilos, resume documentos, gera imagens e escreve textos que, à primeira vista, podem parecer competentes. O problema é que só uma pessoa com preparação suficiente consegue distinguir uma resposta rigorosa de uma invenção, um argumento sólido de um conjunto de banalidades ou um texto original de uma sucessão de lugares-comuns.

É precisamente aqui que reside o maior risco da utilização precoce da inteligência artificial. Quem já sabe escrever pode........

© Observador