A Europa não pode continuar a viver na nuvem dos outros
Durante anos, a Europa convenceu-se de que bastava regular bem para continuar relevante no mundo digital. Criou o RGPD, avançou com o Digital Services Act, desenhou o Digital Markets Act e assumiu-se como a grande potência normativa da tecnologia global. Enquanto os Estados Unidos criavam plataformas, a China construía ecossistemas digitais fechados e poderosos, e a Ásia investia em semicondutores, a Europa especializava-se em definir regras. O problema é que, no século XXI, quem apenas regula a tecnologia dos outros não controla verdadeiramente o seu destino.
A discussão sobre a chamada soberania digital europeia nasce precisamente desta constatação. A Europa depende demasiado de empresas norte-americanas para serviços essenciais: computação em nuvem, software empresarial, sistemas operativos, inteligência artificial, armazenamento de dados, plataformas digitais e infraestruturas críticas. Microsoft, Amazon, Google, Apple e outras empresas tornaram-se parte invisível, mas indispensável, do funcionamento de governos, universidades, hospitais, empresas e administrações públicas europeias.
Esta dependência parecia confortável enquanto a globalização tecnológica era vista como inevitável e benigna. Mas o mundo mudou. A tecnologia tornou-se geopolítica. A cloud deixou de ser apenas uma solução eficiente para armazenar dados e passou a ser uma infraestrutura estratégica. A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de produtividade e tornou-se uma tecnologia de poder. Os semicondutores deixaram de ser componentes industriais e passaram a ser peças centrais da soberania económica e militar.
É neste contexto que a Europa começa a falar de “Techxit”, uma espécie de tentativa de........
