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Sicoob em Minas Gerais detém R$ 116 bilhões em ativos

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11.04.2026

Minas Gerais reúne uma das principais operações do Sicoob no país, respondendo por até 33% dos indicadores do sistema, que combina expansão física, avanço digital e crescimento da base de cooperados.

No sétimo episódio do Minas S/A, disponível nas plataformas de O TEMPO, a temporada Legados recebe Elson Justino, diretor-executivo do Sicoob Central Crediminas, e Valéria Matos, diretora-executiva do Sicoob Central Cecremge.

Na entrevista, os executivos detalham o avanço do cooperativismo em Minas Gerais, discutem estratégias de crescimento, atuação no agronegócio, equilíbrio entre o espaço físico e digital e desafios do setor diante de juros elevados e maior competição no mercado financeiro com o avanço das fintechs.

São mais de 1.300 agências em Minas, de um total de 4.000 no Brasil. No estado, o Sicoob detém R$ 116 bilhões em ativos, representando 14% dos ativos mineiros.

A seguir, a entrevista completa de Elson e Valéria, disponível em vídeo:

Como está o Sicoob em Minas Gerais?

Valéria Matos: O Sicoob tem mais de 2,8 milhões de cooperados. O grande diferencial é que o Sicoob é uma entidade formada por pessoas, não por capital. A gente leva à sociedade, à comunidade, os produtos e serviços financeiros da nossa instituição, e ao final do exercício, o Sicoob distribui esses recursos com os seus cooperados, seus clientes. Isso é um grande diferencial.

Ou seja, o dinheiro depositado no Sicoob em Barbacena, por exemplo, fica na região. 

Elson Justino: É. Essencialmente, o cooperativismo capta depósitos e faz intermediação financeira na região onde atua, fomentando um círculo virtuoso de riqueza. Os resultados retornam aos associados, reduzindo despesas como tarifas. O cooperado paga menos pelo serviço financeiro.

Qual é a economia para o cooperado? 

Valéria Matos: A gente calcula o ganho social do nosso cooperado, fazendo uma média das tarifas cobradas pelo sistema financeiro, em relação ao cooperativismo, ao Sicoob. E a gente apresenta, em todo início de exercício, esse ganho social que o cooperado tem em operar com o Sicoob. Nosso cooperado economiza em torno de R$ 7.000 por ano quando ele opera com o Sicoob, em detrimento de outra instituição financeira. A gente tem taxas mais atrativas, mais acessíveis, em todo o portfólio de produtos do Sicoob, isso é comprovado através do resultado que a gente distribui em juros ao capital ou distribuição de sobras.

Como está a atuação no setor agropecuário? 

Elson Justino: O agro ultrapassou a mineração na balança de exportação mineira. Segmentos como a agropecuária e o café têm grande predominância do Sicoob, no financiamento dessas atividades aqui, em Minas Gerais. A gente atua com grãos: milho, soja e feijão, e em outras atividades do agro, como, por exemplo, o leite. Hoje temos em torno de 23% de todo o crédito gerado para o agro em Minas Gerais.

Por quê? Tem uma justificativa?

Elson Justino: Proximidade. O Sicoob Crediminas nasceu das cooperativas de crédito rural. Durante um tempo, a legislação brasileira estabelecia um modelo de cooperativas segmentadas. Inclusive, muitos acham que cooperativa é apenas para alguns, e não para todos. Não, o cooperativismo é para qualquer cidadão, para toda empresa.

No caso do Sicoob Central Cecremge, voltado para pequenas e médias empresas e serviços?

Valéria Matos: Como a Crediminas veio desse lugar do rural, o sistema Cecremge nasceu das associações comerciais, prioritariamente, que foi a organização dos empresários das cidades. Para buscar uma alternativa ao sistema financeiro, foi constituindo, então, as cooperativas do segmento mútuo. Hoje não utilizamos mais essa terminologia, e, na legislação mais recente, essa separação entre rural e crédito urbano também não existe mais. Então, qualquer pessoa física ou jurídica pode se associar a uma cooperativa do Sicoob.

Como atendem empresários que reclamam da falta de linhas de capital de giro no mercado?

Elson Justino: Construímos ecossistemas com parceiros: Sistema Faemg no agro, Fiemg na indústria, Sebrae com micro e pequenos empreendedores. Dados mostram que três em cada dez micro e pequenos empreendedores têm acesso ao crédito no Sicoob, contra um em dez no sistema financeiro tradicional.

Como está o crescimento do Sicoob, o plano plurianual? Onde Minas está no ranking nacional?

Valéria Matos: Minas representa de 30% a 33% de qualquer indicador do sistema Sicoob. Temos mais de 1.300 agências em Minas, de um total de 4.000 no Brasil. Detemos R$ 116 bilhões em ativos no Estado, representando 14% dos ativos mineiros.

Dá para crescer mais?

Elson Justino: Muito. A primeira cooperativa conhecida no Brasil nasceu em Minas Gerais, nos anos 1888 e 1889. O cooperativismo nasceu na Europa em 1840, aqui chegou 40 anos depois. Minas é considerado o estado onde as cooperativas estão mais bem organizadas. Detemos a principal participação no PIB do Sicoob entre estados.

Quais são as metas para crescimento?

Valéria Matos: Pretendemos alcançar 13,5 milhões de cooperados até o final do próximo ano. A cada dez pessoas que se associam, oito vêm de instituições tradicionais. Temos ainda grande universo em pessoa jurídica e micro e pequenos empresários para crescer. Queremos alavancar crédito para pessoa física, atraindo a população que ainda carece de crédito com taxas bem acessíveis.

Precisa fazer um alto investimento em tecnologia? Como é feito o planejamento para abrir uma agência física ou investir mais no digital?

Valéria Matos: Nossa escolha é fazer as duas coisas. Não temos como deixar de atuar no local, porque essencialmente essas cooperativas nascem da comunidade, então isso é extremamente importante, porque cria identidade local e cria a credibilidade das pessoas que operam. Mas essas pessoas que estão nessas localidades também operam no digital. Então, o Sicoob investe também nas tecnologias de ponta para colocar o aplicativo do Sicoob como dos mais premiados e de fácil utilização, principalmente a questão da segurança. 

Vi que vocês abriram quase 600 pontos de atendimento nos últimos três anos. Existe um plano de abertura de novos pontos?

Elson Justino: O físico é escolha estratégica, mas feito racionalmente. As pessoas querem usar meios digitais, mas com segurança de atendimento presencial quando precisarem. Chamamos isso de “figital” – digital com sensação humana. 

Tem público de todas as idades no Sicoob?

Valéria Matos: Temos associados kids. Um cooperado do Sicoob pode associar seu filho no aplicativo com controle parental, gerido pelos pais quando menor, passando ao controle próprio na maioridade. Integramos todas as idades.

Elson Justino: A faixa etária média dos associados é 43 anos. Mas, entre quem tem renda até R$ 2.800, cai para 30 anos. Atendemos um universo grande de pessoas com renda menor e faixa etária menor de início de atividade econômica. Temos soluções para todos.

Como vocês competem com fintechs, bancos digitais e bancos convencionais? Vocês conseguem precificar isso?

Valéria Matos: É o custo de aquisição de cliente. Fazemos um trabalho de comunicação mais organizado, entre os dois sistemas regionais de Minas, marcando presença em eventos, na internet, campanhas na televisão, para dar visibilidade e fazer as pessoas conhecerem a instituição. Temos uma grande participação dos próprios cooperados também, que, ao terem uma boa experiência com o Sicoob, acabam indicando para seus parentes, amigos e atraindo novos clientes. E um grande ponto que a gente consegue demonstrar de diferencial é o retorno que o cooperativismo, que o Sicoob gera de volta com o nosso cashback, que é o resultado do final do exercício sendo devolvido.

A crise do Banco Master afetou a credibilidade do Sicoob?

Elson Justino: O Sicoob não teve negócios com o Master. Sistematicamente, quando quebra uma instituição financeira, passa desconfiança, mas não temos redução de negócios. Nosso sistema tem garantias: cooperativas centrais, confederação, banco próprio, supervisão do Banco Central, auditorias, fundos garantidores. O cooperativismo tem o Fundo Garantidor do Cooperativismo (FGCoop), não o FGC, usado no caso Master. O cooperativismo não teve desembolso nenhum.

Se a pessoa tem mais de R$ 250 mil depositados no Sicoob, como funciona isso no caso de uma cooperativa?

Elson Justino: O cooperativismo no Brasil tem quase 700 cooperativas de crédito, muitas organizadas em sistemas. O Sicoob tem 320 cooperativas. Os sistemas têm organização interna em que uma cooperativa protege a outra. O propósito é não deixar cooperativa nenhuma quebrar. Quem opera com o Sicoob não tem proteção de R$ 250 mil, tem proteção do Sicoob, ou seja, de todo o recurso. Os sistemas cooperativos são muito seguros, além da supervisão do Banco Central.

Vocês têm consórcio, seguros, crédito?

Valéria Matos: Sim, temos o portfólio completo. Seguro residencial, empresarial, seguro safra, de automóveis, todas as linhas. Consórcio para carro, máquina agrícola, imóvel. Linhas de crédito, câmbio, crédito imobiliário. Temos crédito consignado também. O Sicoob não deixa a desejar comparado a nenhuma instituição financeira.

Têm alguma nova linha de crédito em planejamento?

Elson Justino: Temos programas de educação financeira no Sicoob. Em 2025, alcançamos quase 700 mil pessoas com orientação financeira.

O que vem aí para cooperado e cooperativa ficarem mais fortes?

Valéria Matos: Investimos para que pessoas usem serviços financeiros com mais consciência nas decisões do dia a dia. Investimos acima de R$ 350 milhões em programas de educação financeira e cooperativismo empreendedor. Somos uma das instituições participantes das semanas Enef de educação financeira, promovidas pelo Banco Central, para incentivar o conhecimento na população. Temos papel importante social e educacional.

O que Banco Central pode fazer?

Elson Justino: Regras baseadas em modelo muito analógico precisam se converter para soluções digitais. Abrir conta, informações cadastrais, gerar crédito, contratos mais digitais e menos papel. Há muitas evoluções que dependem de regulação geral da sociedade que pode avançar no digital.

Valéria Matos: Os desafios do cooperativismo de crédito no Brasil são: escala, mercado, evolução tecnológica e questões regulatórias. Projetamos 13,5 milhões de associados para 2027. O cooperativismo participa com 6% a 8% do PIB do sistema financeiro brasileiro. Vinte e cinco anos atrás era 1% ou menos. Precisamos fazer transição tecnológica do modelo presencial para digital garantindo proximidade humana, com eficiência. O Banco Central pode aplicar evoluções regulatórias.

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