Meta à vista proibiu vacilos e derrapagens
Finalmente, com um cheirinho de reta final, nessa conta certa de dez jornadas para se desenhar o desfecho da I Liga, colhem-se as impressões, recolhem-se os dados que intensificam luzes de ribalta, alarido de glória, ou se debruça a mente sobre objetivos mais palpáveis. Cenário de encanto para muitos, enquanto outros se remetem à escuridão, sem portas para fintar o abismo ou provar um breve cocktail de esperança.
A jornada 24 não promoveu movimentações salientes na linha da frente, sem lugar a indigestões ou apetites desenfreados, conseguindo o FC Porto manter os rivais a uma distância segura, numa liderança que não é beliscada numa solitária saída de pista. Os dragões suaram como não desejariam na receção ao Arouca, tiveram de acordar do pesadelo que foi o 1-1 num momento perigoso, para, num forcing final, imporem a sua vontade, sem defraudar o fator casa e serenarem pensamentos mais inquietos.
Ao triunfo portista, espremido nas compensações, respondeu, sem ponta de desassossego, o Sporting, despachando muito cedo um obstáculo prometedor de dificuldades, esvaziando o Estoril de intenções atrevidas. O 3-0 voltou a colocar Suárez no centro das atenções. Destinado a encerrar a jornada, o Benfica esperou por um desafio com maior exposição a uma derrapagem, não baqueando à segunda tomada de dianteira, sorrindo num arrojo de Schjelderup. O triunfo das águias permitiu manter tudo igual na frente antes de uma jornada com características singulares, em que os embates e os pontos podem valer a dobrar, numa lógica de confrontos diretos.
No plano teórico, o Benfica vê o cenário ideal para reentrar na discussão pelo campeonato, caso derrube o FC Porto na Luz e ainda venha a lucrar de qualquer perda de pontos do Sporting em Braga, percebendo-se o entusiasmo que resultou do triunfo em Barcelos.
Não esquecendo outras lutas, a última jornada cimentou o Braga no seu abrigo natural. Os guerreiros cavaram cinco pontos para o Gil Vicente, desbloqueando os três pontos na Choupana na urgência das compensações. Numa ronda de empates, cinco, ficou mais firme a pressão de outros atores do Minho sobre os galos de Barcelos, com o Famalicão e o Moreirense a suportarem uma aproximação mínima fruto de empates em Vila do Conde e Rio Maior (diante do Casa Pia).
Na parte de baixo, teve contornos dramáticos o empate do Tondela, traído perto do fim pelo 2-2 do Santa Clara, sendo que beirões e açorianos seguem umbilicalmente ligados ao risco de descida.
