Um choque de gestão para Portugal
Portugal precisa de um choque de gestão.
É verdade que precisamos também de uma evolução fiscal, de uma simplificação regulatória e até de novos pacotes de incentivos públicos na sequência dos recentes fenómenos climatéricos. Mas deixem-me dizer que tudo isso poderá apenas “arranhar” a superfície dos problemas estruturais da nossa economia.
O que verdadeiramente falta é algo mais profundo, mais exigente e, talvez por isso mesmo, mais raramente discutido: um verdadeiro choque de gestão empresarial, capaz de aumentar a escala das empresas portuguesas, elevar a sua produtividade e reforçar a sua rentabilidade.
Durante décadas habituámo-nos a discutir a competitividade do país quase exclusivamente a partir do papel do Estado. Falamos de políticas públicas, de fundos europeus, de fiscalidade, de legislação laboral ou de programas de apoio à inovação. Tudo isso conta, evidentemente. Mas há uma realidade que raramente enfrentamos com a frontalidade necessária: uma parte significativa das fragilidades competitivas da economia portuguesa encontra-se dentro das próprias empresas.
Portugal tem muitas empresas. Mas tem poucas empresas grandes.
O nosso tecido empresarial continua profundamente fragmentado. A esmagadora maioria das empresas é pequena, muitas vezes de natureza familiar, frequentemente pouco capitalizada e, em demasiados casos, gerida com horizontes estratégicos curtos e com uma estrutura organizacional que reflete mais a história da empresa do que as exigências do mundo em que hoje compete.
Este modelo teve (e tem, ainda, muitas vezes) virtudes. Foi ele que permitiu, em muitos setores, construir resiliência económica, criar emprego e desenvolver competências industriais relevantes.
Mas também é verdade que esse mesmo modelo começa hoje a revelar limites cada vez mais evidentes. Empresas pequenas têm inevitavelmente maior dificuldade em........
