Inovação sem adjetivos
Ao longo das últimas duas décadas, a inovação aberta foi acompanhada por uma efervescência contagiante: programas lançados com entusiasmo, cargos criados para lhe dar estatuto, eventos pensados para a celebrar, narrativas cuidadosamente construídas para sinalizar modernidade e visão. A inovação aberta tornou-se presença obrigatória no discurso estratégico, quase como se fosse uma espécie de requisito moral para qualquer empresa que desejasse ser vista como relevante no seu tempo.
Essa efervescência começa, porém, a dissipar-se. Vemos cada vez menos anúncios, menos iniciativas visíveis, menos gestos performativos, menos proclamações efusivas, menos investimento em “hubs”, “labs” e conceitos análogos. Para alguns, trata-se apenas de um declínio passageiro e contextual; para outros, é o fim inevitável de mais um conceito excessivamente explorado.
A minha leitura (porventura não menos inquietante) aponta noutra direção: não é a inovação aberta que se esgotou, mas sim a sua versão decorativa, aquela que existia para ser mostrada, legitimada, comunicada, sem nunca........
