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A inovação que Portugal perde por não ouvir as mulheres

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09.03.2026

Portugal fala muito de inovação, mas continua sem uma política pública que a transforme numa estratégia nacional coerente. Multiplicam-se planos, agendas e discursos, mas falta aquilo que distingue os países que avançam dos que permanecem estagnados: visão, continuidade, planeamento e responsabilidade. E falta, sobretudo, reconhecer o que permanece invisível para quem decide: não existe inovação eficiente quando metade do talento é sistematicamente ignorado.

A ausência de uma política séria de inovação — em Portugal e, demasiadas vezes, também na própria União Europeia — caminha lado a lado com a desvalorização persistente do papel das mulheres na economia do conhecimento. A Constituição exige ao Estado que promova o desenvolvimento científico e tecnológico, a igualdade e a eficiência económica. Os Tratados da União Europeia repetem estes compromissos. Mas princípios sem execução transformam-se em slogans, e slogans não mudam países.

O país continua preso a iniciativas soltas, dependentes do ciclo político, sem articulação entre educação, ciência, propriedade industrial, mercado de trabalho, financiamento e competitividade. Esta ausência de estratégia nunca é neutra: as mulheres........

© Jornal Económico