A Europa fica-nos bem
O Braga precisava de uma tarde perfeita. E teve-a. Sem dramatismos nem desesperos. Depois da derrota por 2-0 na primeira mão, a equipa sabia que lhe era exigida mais do que intensidade: precisava de lucidez, de critério e, sobretudo, de pragmatismo. E foi isso que apresentou frente ao Ferencváros, construindo uma vitória por 4-0 com autoridade suficiente para transformar uma eliminatória comprometida em mais um episódio de afirmação na Europa.
Desta vez não houve um triunfo arrancado a ferros nem uma reviravolta feita de acaso. Houve, isso sim, uma equipa capaz de perceber o momento do jogo e de o conduzir sem precipitação. Ricardo Horta voltou a ser decisivo, Grillitsch e Gabri Martínez juntaram-se-lhe na construção de um resultado que teve tanto de expressivo como de justo. O Braga não correu atrás da eliminatória como quem corre atrás de um milagre; jogou-a como quem se sente capaz de a ganhar. É talvez esse o sinal mais evidente do crescimento europeu do clube.
Numa época em que a Europa parece ser o único palco onde os resultados estão acima do habitual, não se estranha, por isso, que seja na Liga Europa que os adeptos bracarenses depositam agora as suas maiores esperanças. É preciso encarar o Bétis de Sevilha como se fosse o adversário mais importante da época.
No plano doméstico, o F. C. Porto venceu com uma boa dose de sorte e o Braga só se pode queixar de si mesmo. Também por isso era dispensável tanta agressividade dos jogadores e da equipa técnica do F. C. Porto. É importante que a Liga garanta que todos cumprem as mesmas regras.
