Universidades portuguesas e a síndrome de Pangloss
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Saíram mais dois “rankings” mundiais de universidades e Portugal reagiu com a serenidade de quem não leu — ou não quis entender — a mensagem. O QS World University Rankings 2027 coloca a melhor universidade nacional, Lisboa, em 237.º, com quase todas a cair, à exceção de Coimbra.
O Center for World University Rankings põe Lisboa em 223.º e só três instituições no top 500 — Lisboa, Porto e Coimbra —, das quais apenas o Porto subiu. Não é anomalia de um “ranking”: no Times Higher Education e em Xangai, com metodologias diferentes, a conclusão repete-se. Caímos há anos, sem nenhuma universidade no top 200 e com as melhores nas franjas do top 300 ou 500. Confesso que fui verificar duas vezes, convencido de que faltava um dígito. Não faltava. Faltou a reação — dos governantes, das lideranças académicas, da imprensa. Um silêncio quase litúrgico.
É isto que chamo síndrome de Pangloss — a tentação, herdada do professor otimista do Cândido de Voltaire, de acreditar que vivemos no melhor dos mundos possíveis, mesmo quando os factos recomendam inquietação. Vivemos, ao que parece, no melhor dos mundos universitários possíveis; e que os dados se calem.
Com estes resultados, imagino o Governo e o Conselho de Reitores já a agendar a reunião de urgência para debater a debacle. Imagino — porque, por enquanto, o país não deu por nada. Talvez seja distração minha, mas reparei num pormenor: mexer no modo de eleger reitores provoca uma tempestade nacional; cair nos “rankings” não provoca rigorosamente nada.
A parte desconfortável nem é a posição: caímos sem termos piorado — os outros é que aceleraram. E não é só connosco. No Canadá, 37 das 38 universidades recuaram no mesmo “ranking”, e o país abriu um debate........
