Estamos sós
A maior ilusão política das Regiões Autónomas é acreditar que Lisboa algum dia olhará para Madeira e Açores como parte da solução. Na melhor das hipóteses, somos uma nota de rodapé. Na pior, uma despesa que alguns gostariam de reduzir.
O problema não é deste ou daquele Governo. Não é do PS, do PSD ou de qualquer outra sigla que ocupe circunstancialmente os gabinetes ministeriais. O problema é mais profundo. É cultural. É estrutural. É uma forma de olhar para as ilhas que atravessa gerações de governantes, administrações públicas e instituições nacionais.
Muda a cor das paredes. Mantém-se a vista da janela.
Quem vive na Madeira ou nos Açores aprende cedo uma realidade simples: quando dependemos de Lisboa para resolver um problema, o mais prudente é sentarmo-nos confortavelmente. A solução vai demorar. Será estudada. Depois será analisada. Seguir-se-á uma comissão. Talvez um grupo de trabalho. Eventualmente um parecer. E, com alguma sorte, um dia surgirá uma regulamentação. Se não surgir outra prioridade nacional pelo caminho.
O mais curioso é que, quando finalmente chega alguma resposta, aquilo que deveria ser entendido como o cumprimento de uma obrigação do Estado aparece frequentemente embrulhado........
