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Fernando de Noronha além do cartão-postal: uma ilha que se revela com o tempo

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04.05.2026

Fernando de Noronha é um daqueles lugares que parecem já conhecidos antes mesmo da chegada. Há anos circula no imaginário coletivo como sinônimo de paraíso, repetido em listas, fotos e promessas de viagem. Talvez por isso, antes de ir, eu carregasse uma leve reserva, a sensação de um destino já bastante conhecido, apresentado de muitas formas.

A chegada na ilha não desmonta essa impressão de imediato. O aeroporto pequeno, a logística controlada, os preços elevados, tudo reforça a ideia de que Noronha é um lugar onde o acesso já faz parte da experiência. Mas basta algum tempo para que a ilha comece a se reorganizar fora dessa narrativa pronta. Pois bem, Noronha realmente não se entrega de imediato, e a leitura muda com o tempo e com a redução do ritmo.

A cerca de 545 quilômetros do Recife, o arquipélago reúne 21 ilhas e ilhotas, embora seja na principal, com pouco mais de 17 km quadrados, que a ocupação se concentra. De origem vulcânica, formada há mais de 10 milhões de anos, a paisagem é marcada por rochas escuras, relevo acidentado e recortes abruptos que ajudam a explicar o contraste tão característico com o mar. A ausência de rios e a baixa presença de sedimentos garantem uma transparência incomum, com visibilidade que frequentemente ultrapassa os 30 metros, sustentando um ecossistema........

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