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As terras não são raras, raro é o planejamento estratégico no Brasil

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28.04.2026

As terras raras são um conjunto de 17 elementos da tabela periódica de importância vital para indústrias de alta tecnologia: escândio, gadolínio, ítrio, térbio, lantânio, disprósio, cério, hólmio, praseodímio, érbio, neodímio, túlio, promécio, itérbio, samário, európio e lutécio.

Apesar do nome, os minérios dos quais são extraídos não são escassos, mas o setor é dominado pela China, que controla cerca de 80% a 90% das reservas exploradas e, principalmente, as tecnologias de beneficiamento e industrialização. O Brasil vem em segundo lugar em reservas conhecidas, mas a maior parte ainda está inexplorada, e o país é deficiente nas tecnologias de agregação de valor.

O tema está em destaque pela venda da mineradora Serra Verde, a única produtora de terras raras em operação no país, para a empresa estadunidense USA Rare Earth, um negócio de US$ 2,8 bilhões que contou com o apoio direto do governo dos EUA e vincula a operação à agenda estratégica de Washington para tornar-se menos dependente da China no fornecimento de tais insumos.

Em operação comercial desde 2024, a empresa explora uma mina de óxidos de terras raras (neodímio, praseodímio, disprósio e térbio) em Minaçu (GO), com capacidade atual de cerca de 5 mil toneladas anuais. Em uma operação evidentemente casada com a transferência do controle, conseguiu um financiamento de US$ 565 milhões da U.S. International Development Finance Corporation (DFC), agência estatal orientada para projetos estratégicos dos EUA no exterior, para expandir a produção para 6,5 mil toneladas até 2027.

Outro financiamento de US$ 1,6 bilhão do Departamento de Comércio facilitou a aquisição da empresa pela USA Rare Earth.

A estratégia parece ser a criação de uma cadeia de produção verticalizada fora da órbita de........

© Gazeta do Povo