Se a civilização for acabar, que seja assim
Há um boteco no meio do caminho. No meio do caminho há sempre um boteco. Sitiado de “Compro Cabelo” por todos os lados. Pequeno, fica numa faixa estreita da quadra irregular, com portas para duas ruas quase paralelas. Passaria despercebido em meio a tantos cabelos se não fosse a dança.
Seis e tantos da tarde, noite acordando. Não durou mais do que dois, três segundos o tempo que levei para passar pelo boteco que não sei o nome (talvez nem tenha mesmo). Mas foi o que bastou. Do canto do olho avistei uma meia dúzia daquela gente humilde cantada por Chico Buarque dançando.
Não a música do Chico, que é indançável, mas alguma outra que não discerni e devia ser animada. Apenas percebi que vinha de uma telinha pendurada na parede contendo a letra pulante de um karaokê que ninguém cantava. Era uma segunda-feira.
Do canto do olho avistei uma meia dúzia daquela........
