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O triunfo do 'achismo', ou como transformar ideologia em evidência

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21.09.2026

A publicação dos resultados do PISA 2025 trouxe novamente a educação para o centro da discussão pública. É uma boa notícia. Uma sociedade democrática precisa de discutir a qualidade das suas escolas, aquilo que os alunos aprendem e as políticas públicas capazes de melhorar a educação.

Mas trouxe também uma quantidade impressionante de certezas. O ‘achismo’ parece particularmente virulento em dois momentos: quando se procura explicar o extraordinário progresso dos resultados portugueses entre 2000 e 2015 e quando se procura determinar as causas do atual retrocesso, que nos conduz de novo para valores próximos dos de 2006.

São dois movimentos simétricos. Primeiro, procura-se encontrar o “segredo” do sucesso. Agora, procura-se o “culpado” pelo fracasso. Em ambos os casos, a tentação é a mesma: transformar uma realidade complexa numa explicação simples, selecionando entre os múltiplos fatores possíveis aqueles que melhor confirmam as nossas convicções prévias.

Convém, por isso, introduzir alguma modéstia.

A trajetória portuguesa no PISA entre 2000 e 2018 foi extraordinária. Portugal apresentou uma subida consistente dos resultados nas três áreas avaliadas, sendo o único país da União Europeia com uma evolução desta natureza. Foi essa trajetória que levou a OCDE a considerar Portugal um verdadeiro “caso de sucesso”. Uma análise mais fina mostra, contudo, que a grande aceleração ocorreu sobretudo nos ciclos de 2009 e 2012, seguindo-se uma estagnação em 2018.

Constatar esta evolução é uma coisa. Explicá-la é outra.

Perante uma história de sucesso, rapidamente aparecem narrativas que procuram identificar a política responsável: a avaliação externa, a realização de provas desde idades precoces, uma maior pressão sobre as escolas, determinadas alterações curriculares ou uma orientação próxima do back to basics. O problema não está em formular estas hipóteses. Está em transformar a........

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