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Por que a bebida afeta minhas emoções?

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31.03.2026

Brasileiro gosta de beber muito. Minas é cheia de botecos, que vivem lotados e, apesar de a lei vetar bebidas alcoólicas para menores de idade, eles bebem sem o menor constrangimento. No calor do momento, tomar um drinque pode parecer uma boa ideia. O álcool pode fazer você se sentir relaxado, menos inibido e até eufórico. Mas, na manhã seguinte, pode se arrepender daquele copo a mais.

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Além dos sintomas físicos desagradáveis da ressaca — dor de cabeça, enjoo, sede, sensibilidade à luz e ao som — o álcool também pode causar sintomas emocionais, às vezes chamados de “ansiedade da ressaca”. Isso pode se manifestar como confusão mental, ansiedade, irritação, sentimentos de arrependimento ou vergonha.

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Sally Adams, professora de psicologia da Universidade de Birmingham, que estuda os efeitos cognitivos e comportamentais do álcool, disse que costumava tomar alguns drinques após uma semana estressante para relaxar e aliviar a ansiedade, mas sempre ficava 10 vezes pior na manhã seguinte.

Isso é apenas um dos efeitos do álcool na saúde mental. O consumo excessivo a longo prazo também está associado à depressão e à ansiedade. Dra. Adams parou de beber porque a ansiedade do dia seguinte não compensava o prazer passageiro.

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O que acontece no seu cérebro quando você bebe? No cérebro, ele desequilibra os neurotransmissores, que ajudam as células a se comunicarem. Ao começar a beber, o álcool desencadeia a liberação de dopamina no centro de prazer do cérebro, causando uma sensação de euforia e felicidade. Ele também potencializa os efeitos de um neurotransmissor chamado gaba, que pode causar relaxamento e sonolência, e atenua os efeitos do neurotransmissor glutamato, que pode prejudicar a memória e os movimentos.

Segundo o Dr. Hugh Cahill, neurologista do NewYork-Presbyterian The One, pode ser difícil atribuir as emoções pós-consumo de álcool a uma única causa, dada a variedade de fatores envolvidos quando se bebe.

Embora o álcool possa fazer adormecer mais rápido, ele também reduz a quantidade de sono REM, o que pode causar ansiedade. Além disso, beber desidrata o corpo, o que pode afetar o humor, de acordo com alguns estudos. E como o álcool diminui as inibições sociais e prejudica a memória, pode levar a decisões das quais você se arrependerá ou das quais não se lembrará.

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A intensidade da ressaca pode variar de acordo com fatores como genética, peso e percentual de gordura corporal, além da alimentação e do nível de hidratação, explicou a Dra. Adams. Um estudo de 2019 descobriu que pessoas muito tímidas eram mais propensas a relatar ansiedade na manhã seguinte ao consumo de álcool do que pessoas menos tímidas.

Os pesquisadores ainda não têm estratégias para dissociar os efeitos físicos e emocionais do álcool, mas abordagens como espaçar as bebidas e adicionar gelo para diluí-las podem ajudar a consumir menos álcool e prevenir a ressaca em geral.

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.


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