Notícia | Lula perde discurso de ‘Congresso inimigo do povo’, apesar de veto a penduricalhos; entenda
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e as cúpulas do Congresso Nacional vivem às turras, numa queda de braço evidenciada, por exemplo, nas derrubadas dos vetos presidenciais. Em muitas das crises, o mal estar ocorre porque o tema votado e aprovado por deputados e senadores foi negociado com o Planalto, que depois rompeu acordos.
É o que o Legislativo alega que ocorreu na aprovação do reajuste e concessão de penduricalhos à elite do funcionalismo na Câmara e no Senado. O governo nega. E, nesta quarta-feira, 18, Lula sancionou o reajuste salarial das carreiras do Poder Legislativo, mas vetou os dispositivos que elevavam o rendimento para além do teto constitucional.
Considerando que os projetos foram aprovados por praticamente todas as bancadas, pois apenas o partido Novo e o PSOL foram contra, seria fácil os congressistas terem voto suficiente para reverter a decisão de Lula. Mas, como antecipou a Coluna do Estadão, desta vez não há clima para entrar nessa briga, em razão do ano eleitoral.
A matéria é impopular e poderia prejudicar os deputados e senadores diante de seus eleitores.
“Custo a crer que o Congresso vá enfrentar por duas vezes um desgaste público dessa dimensão, ainda mais em ano de eleições. E mais: Lula não vetou os reajustes e outras gratificações, apenas o fura teto”, ressaltou o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), relator da reforma administrativa na Câmara.
A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) também ressalta a repercussão negativa do tema como empecilho para os apoiadores dos reajustes derrubarem a decisão de Lula. “A votação do projeto foi simbólica. Mas a derrubada de um veto exige que o deputado e o senador exponham seu voto. E agora eles estão preocupados em buscar votos nas suas bases”, observou a parlamentar.
Desta vez, portanto, Lula não será derrotado no Congresso. Isso não significa, porém, que ele conseguiu formar maioria e ter bancada de apoio forte nas duas Casas, mas que a pauta eleições se sobrepõe a qualquer outro fator.
Além disso, apesar de vetar os penduricalhos fura-teto, Lula também ficou emparedado. Se quiser queimar o Congresso para se beneficiar no episódio, vai deixar os petistas em situação delicada com o eleitor. Pois o PT não foi contra o aumento nem aos mecanismos para furar o teto constitucional.
Em 2025, o Planalto e o PT gostaram do resultado do engajamento da militância nas redes, com hashtags como “Congresso inimigo do povo”. A campanha informal ocorreu depois de Câmara e Senado derrubarem o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
A avaliação predominante entre seus aliados fieis, naquela ocasião, foi de que, apesar da derrota na pauta, o governo venceu o debate público nas redes com o discurso de pobres x ricos, Congresso x povo. E a ordem foi aumentar essa polarização.
O episódio virou carta na manga. A cada nova crise com os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), interlocutores palacianos resgatavam a ideia de fazer esse embate novamente. Mas desta vez, Lula está de mãos atadas.
