Comer: uma decisão que não tomamos sozinhos
Comer: uma decisão que não tomamos sozinhos
“Doutora, eu tenho uma alimentação saudável. Evito fritos, raramente como fora de casa… e, ainda assim, tenho dores, inchaço, enfartamento.”
É uma frase que ouço frequentemente em consulta. E há algo de paradoxal nela. Afinal, se aquilo que comemos é saudável, como pode fazer-nos sentir mal?
Neste Dia Mundial da Alimentação, como médica gastrenterologista, gostaria de partilhar uma reflexão sobre a extraordinária complexidade da alimentação. A ideia de que a alimentação pode ser terapêutica é antiga. Contudo, numa época em que somos constantemente expostos a novas dietas, alimentos enriquecidos com nutrientes ou reduzidos em calorias, açúcares e gorduras, talvez seja útil voltar ao princípio: antes de escolhermos o que comer, precisamos de perceber porque comemos.Falamos habitualmente de fome, como se fosse uma coisa simples. Mas não é.
Existe a fome homeostática, que resulta das necessidades........
