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Afinal, quem ganhou? Ambos…

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24.02.2026

Brilhante vitória de António José Seguro, de Penamacor). O candidato presidencial A. J. Seguro, que já havia vencido a 1.ª volta com quase 32% do voto, foi eleito nosso futuro presidente da República na 2.ª, com mais de 66%. Porém o seu principal opositor, André Claro Ventura (que na 1.ª volta obtivera 23,4%) alcançou agora uns mais que honrosos 33,2%. Isto é, 1 em cada 3 dos portugueses com quem nos cruzamos na rua, já não teve pejo nem complexos, de apoiar um líder da Direita Nacionalista. O que é uma grandíssima novidade.

A estratégia de Ventura, afinal resultou). O líder do “Chega” hesitou mesmo, e bastante, em candidatar-se. Porém, se da vasta “salada de fruta” de candidatos da 1.ª volta, passasse à 2.ª um candidato que igualmente (e por um qualquer outro motivo) fosse também antipático a uma boa parte do eleitorado, então André Ventura, ajudado por uma eventual abstenção monstra, poderia mesmo calhar de ser o escolhido para presidente. Contudo, apesar de alguns dos seus rivais (Seguro e Gouveia e Melo, sobretudo) provavelmente o irem derrotar (mas só na 2.ª volta), Ventura avançou na candidatura. Avançou com um frio calculismo que não lhe seria atribuído; dado que é tido, e bem, por um político sobretudo, impulsivo (lembremos na AR, as suas impensadas bandeiras da Ucrânia e insultos a Lula…). E se tivesse sido ele o eleito, quem o substituiria à frente do “Chega”? Rita Matias, Pedro Pinto, Francisco Gomes? Há mais, de alguma qualidade mas com mais duvidoso carisma.

Porém, se o “comboio de tempestades” tivesse chegado um mês antes…) Aí, arriscávamo-nos a ter o almirante Gouveia na 2ª volta. E provavelmente contra Seguro (e não contra Ventura); uma vez que a candidatura de José Seguro foi apoiada, também por muitíssimos conservadores, de Direita moderada, só porque abominavam António Costa. E como tantos outros (os do “Chega”), eles estão, de algum modo sedentos de “vingança” contra o presumido, deslocado e ultra-manhoso actual presidente do Conselho… “Europeu”. O qual, na sua “mui nobre e leal” carreira política, roubou o lugar ao então seu chefe (precisamente, Seguro…). Estávamos no ano de 2014; e aleivosamente, a eleição interna do PS foi aberta a pseudo-simpatizantes (as tais “espingardas”, bem contadas, como se dizia à época). Seguro inocentemente aceitou… e claro, perdeu.

Ventos “kamikaze” salvaram-nos de um almirante demasiado pro-NATO). Em japonês,” kamikaze” quer dizer “vento divino”. E é uma memória das fortes tempestades que terão salvo o Japão no séc. XIII, visto que os poderosos Mongois tiveram por essas tempestades destruída, a frota com que se preparavam para invadir um Japão medieval desunido. Desta vez, a cronologia das tempestades deve ter-nos salvo de Gouveia e Melo, um bom organizador, mas perigosamente, demasiado pro-Kiev. O almirante foi dos 1os a avançar. Porém, a sua “estrela” (de David, talvez) foi empalidecendo à medida que os outros candidatos democráticos “de nicho”, foram ocupando os respectivos espaços. Um deles, Cotrim de Figueiredo, até devido a algum carisma pessoal (e apesar de defender teorias ultra-liberais que já no tempo de Marx se passaram a considerar ultrapassadas), conseguiu uns inesperados 16%. Contra uns decepcionantes 12.3% do tão “endousado” Henrique Passalacqua Gouveia e Melo. Por certo, ambos irão “andar por aí”, como já antes, Santana Lopes.

Seguro “goleia”, contra um PS infiltrado pelo “costismo”). Apesar de (teoricamente) comandado por alguém que em 2014 apoiava Seguro contra Costa (J. Luís Carneiro), o PS “profundo” só mesmo no fim e perante a evidência das sondagens, é que concedeu, sem entusiasmo, apoiar José Seguro. Aproveito para dizer aqui, que eu não votei por Seguro. Porém, neste jornal (na crise do PS em 2014) escrevi pelo menos 3 artigos em sua defesa. O 1.º foi “Se vier Costa, volta o socratismo” (17-6-2014). O 2.º, “Melhor é mesmo votar pelo Seguro” (23-9-2014). O 3.º foi “Seguro escolheu mal as armas do duelo” (7-10-2014). Trabalhos consultáveis no arquivo eletrónico do DM.

Erros a corrigir, por Seguro e Ventura). No perigoso conflito Kieve-Moscovo, a posição portuguesa deve ser a de estrita neutralidade. Mas até ao momento, embora com cada vez menos entusiasmo, ambos seguem a anti-histórica propaganda, mortal e fraccionante, do cada vez mais impopular artista Zelenski. Quanto à avassaladora Imigração, tema maior, Seguro é algo permissivo. Quanto ao quase-genocídio e tentativa de “limpeza étnica” que Israel pratica sobre Ghaza, é Seguro que está certo. E Rita Matias, agora casada, arrisca-se a perder as ambições de algum dia ser “principessa”, “ arkontissá” na Lusitânia, se não reverter depressa as desfavoráveis posições que (tal como Ventura) tiveram sobre a nobre e simbólica flotilha que quis apoiar Ghaza.


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