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O “logo se vê”

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10.02.2026

Há algo de habitual e previsível na forma como os sucessivos governos se levantam dos episódios trágicos. Se não durante as próprias calamidades, pelo menos mal as inundações recuam, os fogos esmorecem, ou a escuridão se ilumina, aparecem os discursos de ocasião, cuidadosamente alinhados tirados do armário político. Então, vêm de enxurrada, como as intempéries, as promessas de tudo. Diz-se que é preciso fazer tudo e que se vai fazer mesmo. Garante-se que, desta vez, nada ficará como antes. E, no entanto, com o passar da maré, tudo fica rigorosamente igual ao que sempre foi e logo se vê.

Estes eventos extremos, climáticos ou outros, vão continuar a existir, mas exigem-se capacidades que ao Estado se impõem para minorar os efeitos e potenciar a recuperação. Mas isso não vai lá com o costumeiro “temos de”. 

As calamidades mudam de nome e de cenário, mas as respostas da cartilha política, seja de governos de esquerda ou de direita,........

© Diário do Minho