16 minutos que abalaram o mundo
Começo pelo óbvio: Mark Carney, primeiro-ministro canadiano, fez em Davos um discurso que ficará na história do século XXI. Durou 16 minutos, foi interrompido duas vezes com palmas e, no final, praticamente toda a sala se levantou para uma prolongada ovação que só teve paralelo com um célebre discurso de Mandela, em 1992, quando chamou ao palco F. D. Klerk promovendo aos olhos do mundo uma reconciliação nacional na África do Sul.
É extraordinário que este discurso tenha sido feito por um banqueiro. O seu percurso foi sedimentado na liderança de dois poderosos bancos centrais, o Banco do Canadá e o Banco de Inglaterra - Carney foi o único a governar mais do que um banco central do G7. E é igualmente notável que seja um canadiano a avançar como ideólogo da decência de um novo mundo que, por mais desejos piedosos que possamos ter, já não volta para trás. Um banqueiro canadiano que cita dois pensadores europeus, um da Grécia, berço da Democracia, o outro do Leste europeu que foi rastilho para uma subversão que aniquilou por dentro uma tirania que se acreditava indestrutível: a tirania comunista com base no Pacto de Varsóvia e da União........
