“Envelhecer é crime?”
Talvez a pergunta não deva ser feita assim, mas a ideia está subentendida. No seu livro quase autobiográfico, "Errata: revisões de uma vida", George Steiner transforma esta pergunta numa afirmação mais taxativa, dizendo que “O verdadeiro crime é viver demasiado”. Claro que eu compreendo a melancolia inscrita na afirmação, que considera como "evidente" o declínio intelectual e físico do ser humano, bastas vezes transportando o ferrete da indignidade. A palavra "crime", porém, choca-me pela violência simbólica, a mim, que tenho ainda viva e pujante uma mãe de 99 anos, a abarrotar de ternura. Aliás, o que significa, hoje, "viver demasiado", se pusermos de lado as implicações económicas desse facto natural das nossas vidas? Steiner faleceu em 2020 quase com 91 anos! Em 2017, foi lançada a sua última obra, "A Long Saturday: Conversations", e em 2011 um livro extraordinário, "A poesia do pensamento", onde reflete sobre a relação inquebrável entre a linguagem e o pensamento, sobre o que considera a poesia do........
