“Quando a terra dos pacatos e...”
Daqui a onze dias cumprem-se 100 anos sobre a Revolução de 28 de maio de 1926, movimento que teve início em Braga e que viria a alterar profundamente o rumo político do país. O episódio permanece como um dos acontecimentos mais marcantes para as gentes bracarenses ao longo do último século. Nos meses que antecederam o levantamento militar, o jornal Diário do Minho (DM) noticiou repetidamente sinais de instabilidade e a possibilidade de uma revolta que poderia partir precisamente de Braga, antecipando assim o desfecho que se viria a confirmar a 28 de maio. Na sua edição de 16 de fevereiro de 1926, surgia o título “Revolução em marcha”, acrescentando que estava a “Preparar-se um movimento revolucionário que tem em Braga ramificações”. A notícia adiciona que nos “últimos dias falou-se com intensidade na eclosão de um novo movimento revolucionário, atribuindo se-lhe o aspecto de radical-conservador”. Este movimento radical encontrava em Braga um dos centros mais ativos da conspiração. O DM argumentava que só o “fascismo poderia realizar esse ideal de radicalismo conservador, para de seguida questionar os leitores: Mas existirão realmente fascistas em Braga”? Informava o DM que o centro de Braga, nomeadamente a Arcada, “antes centro de murmuração citadina, fez-se centro da preparação fascista”. E a nota de alarme do DM é verdadeiramente elucidativa: “Tal é a seita que acaba de se instalar nesta cidade, e que está preparada a, dentro em pouco, pôr tudo a ferro e fogo, quando rebentar a futura revolução radical-conservadora”! As semanas seguintes foram marcadas por constantes boatos acerca do que realmente poderia acontecer no país, estando Braga no epicentro dessas suspeitas. A 17 de março de........
