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“Os maiores tesouros não repousam...”

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24.07.2026

Os pescadores sabem. Sabem o peso escuro das nuvens quando descem sobre o mar, sabem o grito do vento rasgando a vela e a noite, sabem a fúria das águas quando se levantam contra o céu. Sabem. No entanto, ao primeiro brilho da manhã, soltam as amarras e partem. […] Os pescadores conhecem o nome dos ventos e a voz das marés. Sabem ler no céu os sinais da mudança e reconhecem, no escurecer súbito do horizonte, a aproximação da tormenta. Conhecem o medo, porque o encon- traram muitas vezes entre a espuma e a noite. Conhecem o perigo, porque o mar nunca lhes escondeu a sua força. E, no entanto, partem. Partem ao amanhecer, quando a primeira luz toca a água e o mundo parece nascer de novo. As mãos desprendem as amarras e o barco afasta-se lentamente da terra firme, como se obedecesse a um antigo chamamento. Porque........

© Correio do Minho