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Silvérios do século XXI

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03.06.2026

A política brasileira voltou a esbarrar numa de suas palavras mais antigas e graves: traição. O debate reapareceu depois que Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo estiveram na Casa Branca para encontros com Donald Trump e, menos de 120 horas depois, o governo americano anunciou a intenção de impor tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. Em qualquer país atento à própria história, a sequência dos acontecimentos despertaria inquietação. No Brasil, despertou também memória. Não apenas pelo impacto econômico da medida, mas pelo simbolismo político de brasileiros celebrarem ou estimularem pressões externas contra interesses nacionais.

A decisão da administração Trump foi apresentada como resposta a supostas práticas comerciais desleais. Seus efeitos, porém, alcançam setores estratégicos da economia brasileira e ampliam a insegurança para empresas, exportadores e trabalhadores. O aspecto mais revelador da crise não estava apenas nas tarifas. Estava na escolha dos alvos. Entre críticas ao comércio digital, à propriedade intelectual e à regulação econômica brasileira, Washington colocou o Pix no centro da disputa.

Nesse momento, a controvérsia deixou de ser apenas comercial. O Pix não pertence a um governo nem a um partido. Tornou-se parte da vida cotidiana dos brasileiros, da feira livre às grandes corporações. Ao reduzir custos, acelerar transações e ampliar a inclusão financeira, consolidou-se como uma das mais bem-sucedidas inovações institucionais já produzidas pelo Estado brasileiro. Ao questioná-lo, os Estados Unidos não atingem apenas........

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