Max Planck contra a desumanização do século
Quando o século XXI transforma cientistas em celebridades instantâneas, gurus de tecnologia em bilionários e algoritmos em novos oráculos da humanidade, a vida de Max Planck surge como um lembrete desconfortável: inteligência não imuniza ninguém contra a dor. E talvez seja justamente aí que resida a parte mais importante de sua história.
A imagem pública de Planck costuma ser resumida à física quântica, aos cálculos que alteraram definitivamente o entendimento humano sobre matéria e energia. Mas existe algo muito maior escondido atrás das fórmulas. O homem que ajudou a inaugurar a ciência moderna atravessou uma sucessão de tragédias pessoais capazes de destruir emocionalmente quase qualquer pessoa.
Sua esposa morreu em 1909. Um filho foi morto na Primeira Guerra Mundial. As duas filhas gêmeas morreram durante partos, em episódios separados. O último filho sobrevivente acabaria executado pelos nazistas em 1945, acusado de envolvimento na conspiração contra Hitler.
É impossível olhar essa sequência de perdas sem perceber uma ironia brutal da história. Enquanto a Europa produzia avanços científicos sem........
