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Confissões de um ex-dinossauro

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07.02.2026

Para Lavínia

“Em questões de gênero, deve-se guardar o mais absoluto silêncio.” (Frase de grande sabedoria, de autoria desconhecida, que eu, como muitos, não consigo seguir)

A crônica que hoje publico foi escrita no finalzinho de 2025. Minha ideia era aproveitar a calmaria de virada de ano para fugir dos meus assuntos habituais. No entanto, o ataque à Venezuela, além das ameaças, pressões e violências contra Irã, Cuba e várias outras nações, conformaram o início de ano mais turbulento de que se tem notícia. Acabei publicando, nesse meio tempo, dois artigos sobre o quadro internacional (um em coautoria com o ilustre embaixador Bustani). Volto agora à crônica. Não que a situação tenha se acalmado – a superpotência delinquente continua fazendo das suas. Mas não tenho neste momento muito a acrescentar sobre o tema.

Enfim, eis o que queria dizer hoje – Eu mudei. Acredite, leitor ou leitora, não sou mais a mesma pessoa num ponto fundamental: na maneira de ver o sexo oposto. É verdade que Schopenhauer disse: “A maior prova de superficialidade é acreditar que as pessoas mudam”. E Roberto Mangabeira Unger acrescentou em comentário à frase de Schopenhauer: “É mais fácil mudar um país do que uma pessoa”. Boas frases, sem dúvida. Sempre gostei delas e citei a de Schopenhauer repetidamente. E, no entanto, por experiência própria, não acredito mais nelas.

Bem sei que, do ponto de vista estritamente subjetivo, a crença em alguma “essência imutável” funciona como uma espécie de tranquilizante contra a passagem vertiginosa e devastadora do........

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