Ajoelhou, tem que rezar
A assessoria procurava a santinha.
— A Nossa Senhora. Pequena, para caber na mão do candidato.
— Temos uma bandeira de Israel.
Era o fim de uma semana que começara com muito mais coragem. Ou, pelo menos, com aquela variedade de coragem que costuma aparecer quando o adversário é uma imagem.
A santinha conhecia o método. Em 1995, um bispo da Universal a chutou pela televisão. Houve, também, uma monumental estátua sua incendiada á beira da rodovia. Mais tarde, um deputado apresentou um projeto para lhe retirar o título de Padroeira do Brasil. Nenhum dos dois era Flávio Bolsonaro. Convém deixar isso claro, porque a política brasileira já trabalha com parentesco demais. O que une os episódios é outra coisa: a pretensão de dizer ao povo brasileiro o que ele pode venerar.
Os terreiros conhecem essa pretensão sem precisar assistir à reprise. Para muita mãe de santo, ela não chega sob a forma de projeto de lei. Chega insultando o orixá, quebrando objetos sagrados, ameaçando gente. O agressor chama aquilo de guerra espiritual, expressão que lhe permite declarar guerra a uma senhora idosa e voltar para casa se achando um soldado de Deus. E tudo se faz em nome de Deus: dos adeptos do evangelismo neo pentecostal, da doutrina da........
