Horário nobre, algoritmo estreito
*Por Bruna Irineu e Larissa Pelúcio
18,9 milhões de brasileiros assistiram a uma cerimônia coletiva LGBT na novela das 21h da Globo. Viviane, uma mulher transexual, casou-se com Leonardo. Lorena e Juquinha, um casal lésbico, selaram a união no mesmo altar. Foi a primeira vez na história da teledramaturgia nacional que um casamento trans ocupou o horário nobre. O vilão da trama, um homem que odeia pessoas LGBT com a mesma convicção dos parlamentares de extrema direita que inspiraram o personagem, tentou impedir o momento e fracassou.
A cena chega às vésperas do 17 de maio, data que marca a retirada da homossexualidade da lista de doenças da Organização Mundial da Saúde em 1990, e que hoje simboliza o Dia Internacional de Combate à LGBTIfobia. Trinta e cinco anos depois, a novela e o cotidiano das plataformas digitais colocam em evidência o paradoxo da violência algorítmica: ao mesmo tempo em que pessoas LGBTQIAPN são um nicho valioso para consumo e engajamento, também acabam sendo vistas como “problemáticas” pelas próprias........
