Portugal no topo: o futsal que se construiu para ganhar
Independentemente do resultado desta noite, uma certeza permanece inabalável: o futsal português está no topo do futsal mundial. Portugal pode, ao início da noite, tornar-se tricampeão europeu — um feito absolutamente notável para o desporto nacional. Mas mesmo que o desfecho não seja o desejado, nada apaga uma realidade já consolidada: Portugal chegou onde está porque construiu para lá chegar. E continuará no topo porque não depende de um jogo, de um resultado ou de uma geração.
Na quarta-feira, os bicampeões europeus, sob o comando de Jorge Braz, voltaram a confirmar esse estatuto ao garantirem nova presença numa final europeia, com um triunfo claro por 4-1 frente à França, nas meias-finais. Do outro lado estará, uma vez mais, a velha conhecida Espanha, rival histórico e referência incontornável da modalidade, no derradeiro passo rumo ao tricampeonato.
Portugal defende os títulos conquistados nas duas últimas edições do Campeonato da Europa: em 2018, também na Eslovénia, venceu a Espanha por 3-2 após prolongamento; em 2022, já nos Países Baixos, superou a Rússia por 4-2. Entre esses dois momentos surgiu o maior feito de sempre: o título mundial de 2021, na Lituânia, que colocou definitivamente Portugal no centro do mapa do futsal global.
Convém, contudo, recordar o caminho. A primeira final europeia chegou em 2010, na Hungria, sob a orientação de Orlando Duarte, terminando com derrota frente à Espanha. Onze anos depois, na Lituânia, Portugal consolidou a sua hegemonia recente ao bater a Argentina por 2-1 e conquistar o Campeonato do Mundo. Seguiu-se, em 2022, a vitória na Finalíssima - torneio a eliminar com a participação de dois representantes da CONMEBOL (Argentina e Paraguai) e dois da UEFA (Portugal e Espanha). Em Buenos Aires, a Finalíssima foi decidida novamente frente à Espanha, nas grandes penalidades.
O sucesso da seleção principal teve reflexo direto nas camadas jovens. A seleção nacional de sub-19 é bicampeã europeia, após os títulos de 2023 e 2025, confirmando a profundidade e a continuidade do talento português. Num torneio com apenas quatro edições, Portugal falhou a final apenas uma vez, em 2019.
Também no feminino, apesar de ainda faltar o troféu maior, Portugal tem marcado presença nas decisões: finais europeias em 2019 e 2022 e uma histórica final do Campeonato do Mundo em 2025, nas Filipinas, onde caiu perante o Brasil. O ouro olímpico nos Jogos Olímpicos da Juventude de 2018 continua a ser, para já, o grande marco, mas o crescimento é evidente e sustentado.
Ao nível de clubes, o quadro reforça a ideia de potência. Benfica e Sporting somam títulos e finais na Liga dos Campeões: os encarnados venceram em 2009/10; os leões conquistaram o troféu em 2018/19 e 2020/21. Presenças regulares nas decisões, frente a colossos europeus, confirmam que o futsal português é competitivo em todos os contextos.
Tudo isto conduz a uma conclusão essencial: Portugal não chegou aqui por sorte.
A Seleção Nacional é o produto final de um processo iniciado em 2010, liderado por dois mentores decisivos........
