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O respeitinho é muito bonito

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24.03.2026

Há uma história tradicional árabe que conta que, todos os dias, um homem carregava um camelo sem dó nem piedade. Mas o animal, com maior ou menor dificuldade, aguentava sempre o peso sem nunca se queixar. A coisa era de tal forma que os vizinhos, todos os dias pela manhã, vinham à porta para ver se era daquela que o animal colapsava. Até que um dia, depois de carregar espectacularmente o camelo, o dono viu que caíra uma pequena palha isolada de um dos fardos que o animal transportava. Depressa a apanhou. Mas mal colocou aquela palha pequenina e quase insignificante de volta ao fardo, o camelo colapsou e foi incapaz de se voltar a levantar. O dono, furioso, gritou-lhe 'carregaste tantas cargas pesadas e deixaste que fosse uma simples palha a partir-te as costas?'. Os vizinhos, cheios de pena do pobre camelo, nem se deram ao trabalho de tentar explicar ao dono que o que tinha rebentado com o pobre animal de duas bossas não fora aquela palhinha em particular, mas o peso que há demasiado tempo carregava. Na minha crónica de hoje, o camelo representa Rui Borges.

Antes que alguém pergunte, não, não havia melhor animal para esta metáfora. Em primeiro lugar porque não quis adulterar a história original e, em segundo, porque o camelo, ao contrário do que nos faz crer o imaginário comum, é um animal bastante nobre e o maior símbolo natural de resiliência: ao contrário da maioria dos animais, os camelos avançam sempre, mesmo em condições adversas. Não ostentam, não são apelativos ou sequer impressionantes à primeira vista, mas atravessam desertos onde outros morrem e carregam pesos que muitos outros........

© A Bola