menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

O teste que pode expor o falhanço das COP ou mudar o jogo

15 0
19.04.2026

Durante anos, a resposta global à crise climática foi construída como uma arquitetura de promessas: metas ambiciosas, relatórios cada vez mais alarmantes, conferências sucessivas onde se afinava a linguagem, mas raramente a ação. Trinta COPs depois, o resultado está à vista: não só falhámos a redução das emissões como nos aproximamos perigosamente de ultrapassar 1,5 °C já na próxima década, segundo o mais recente relatório do Programa das Nações Unidas para o Ambiente. O sistema que alimenta esta crise, o dos combustíveis fósseis, continua intacto.

É neste contexto que, dentro de dias, Santa Marta se prepara para receber uma conferência que promete inverter a lógica: menos discurso, mais ação que nasce da insatisfação com a falta de objetividade para implementação das decisões saídas das conferências das partes, como a COP30.

Pela primeira vez, o foco deixa de ser o consenso a todo o custo para um possível futuro. A pergunta é direta: como sair, na prática, dos combustíveis fósseis? A ambição é clara: criar uma plataforma política para países e atores que já não querem discutir “se”, mas sim “como” abandonar os combustíveis fósseis. A proposta, liderada pela Colômbia e pelos Países Baixos, parte de uma crítica implícita ao modelo das COP: o consenso global tornou-se um mecanismo de bloqueio. Em Santa Marta, a lógica inverte-se, avança quem quer avançar.

Nos últimos dois meses, os sinais acumularam-se com uma clareza difícil de ignorar. O novo Relatório Mundial da Água das Nações Unidas alerta para uma realidade estrutural: o acesso à água está a tornar-se um fator de desigualdade global, com impactos diretos na estabilidade social e económica. Ao mesmo tempo, os dados sobre deslocações forçadas mostram que 250 milhões de pessoas foram empurradas para fora das suas casas por eventos climáticos extremos na última década, muitas delas em regiões já fragilizadas por conflitos.

É aqui que a narrativa dominante começa a falhar. A crise climática não é apenas um problema ambiental. É um sistema de tensões acumuladas entre energia, território, recursos e poder.

Entre 24 e 29 de abril, a Colômbia recebe a primeira Conferência Internacional dedicada exclusivamente a uma pergunta que até agora foi sistematicamente evitada: como é que se sai, na prática, dos combustíveis fósseis? Não “quando” nem “quanto........

© Visão