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Irremediavelmente atrasados. Editorial de Rui Tavares Guedes

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06.05.2026

Há uma espécie de fatalidade instalada em Portugal: a de nos queixarmos do nosso atraso, mas pouco ou nada fazermos para cumprir as tarefas e obrigações a tempo e horas. Não precisávamos de ser como o coelho branco de Alice no País das Maravilhas, sempre apressado de relógio na mão, mas escusávamos de nos conformar a estar no campo diametralmente oposto. Aquele em que já não nos indignamos com os atrasos e até os encaramos com o habitual encolher de ombros.

Ou antes, indignamo-nos depressa, mas apenas no momento em que nos encontramos sob maior pressão. Depois, depressa relativizamos tudo, com aquela resignação que já nos caracteriza e que é continuamente alimentada das mais diversas formas e nos mais variados locais. Todos temos exemplos dessa resignação tão entranhada sempre que se trata de cumprir horários ou prazos: embora tantos se exasperem, ninguém verdadeiramente faz nada para que sejam mais céleres os processos na Justiça; embora todos os anos se prometa reduzir os tempos de espera na Saúde, milhões de portugueses aceitam........

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