Duas perplexidades e um (quase) funeral
1. Os factos são o que são e, na verdade, já não deveriam surpreender-nos. E o factual é que, mais uma vez, após longos anos de condenação na praça pública, com as frequentes e sempre habituais fugas de informação, mais um conjunto de figuras públicas constituídas arguidas foram absolvidas em tribunal por falta de provas. Aconteceu agora com o ex-presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira (e outros dirigentes do clube), na operação Saco Azul, referente a acontecimentos que terão ocorrido há uma década. Mas já vimos este filme passar inúmeras vezes à frente dos nossos olhos.
E vimo-lo sempre com um argumento-padrão, muitas vezes com os mesmos atores e sempre com a mesma linha de tensão, para criar dramatismo e prender a atenção do espectador nos primeiros momentos: uma sucessão torrencial de revelações que ajuda a criar a ideia de uma acusação perfeita, sem falhas e absolutamente blindada. Mas, depois, o filme de ação transforma-se numa telenovela repetitiva e monótona, que se arrasta durante anos. Tantos que, quando chega o desfecho, já ninguém lhe presta atenção. Até porque é um anticlímax: a absolvição. Foi agora com Luís Filipe........
