As leis da atração. Editorial de Rui Tavares Guedes
Durante a maior parte das nossas vidas, pelo menos desde 1984, habituámo-nos a dizer que somos um país de dez milhões de habitantes. Sempre que a pergunta aparecia, a resposta surgia de imediato, na ponta da língua, rápida, certeira e sem qualquer hesitação, ainda para mais sendo um número tão redondo. E a verdade é que durante cerca de quatro décadas a nossa população foi mais ou menos estável, com ligeiríssimas variações, e com o aumento da esperança de vida quase sempre a conseguir compensar a redução da natalidade.
O diagnóstico parecia feito e imutável: desde 2010, quando atingimos um pico de 10,5 milhões de residentes e a crise económica abalava o mundo, começámos sempre a perder população. E, inevitavelmente, a ficar mais velhos. Parecia uma fatalidade. De tal modo, que nos anos da Troika e subsequentes, o discurso oficial foi o de procurar adequar o País à fatalidade de a sua população ir sendo cada vez mais escassa. Foi o tempo em que se “decretou”, por exemplo, que havia professores e enfermeiros a mais, e o melhor que esses profissionais tinham a fazer era ir procurar emprego noutros países. Foi também o tempo em que, de modo acelerado, se........
