(Des)empacotar o designado pacote laboral
“O que o operário diziaOutro operário escutava.E foi assim que o operárioDo edifício em construçãoQue sempre dizia simComeçou a dizer não.E aprendeu a notar coisasA que não dava atenção:Notou que sua marmitaEra o prato do patrãoQue sua cerveja pretaEra o uísque do patrãoQue seu macacão de zuarteEra o terno do patrãoQue o casebre onde moravaEra a mansão do patrãoQue seus dois pés andarilhosEram as rodas do patrãoQue a dureza do seu diaEra a noite do patrãoQue sua imensa fadigaEra amiga do patrão.”
Vinicius de Moraes – Operário em Construção
Muito se tem debatido sobre o auto-designado anteprojeto Trabalho XXI, designadamente sobre as medidas em que há profundo desacordo com a UGT, uma das centrais, a única, para além das associações representativas dos empregadores, com quem o Governo se entendeu sentar à mesa.
Tal anteprojeto foi justificado, primeiramente e de forma desastrosa, com invocados abusos na legislação atinente à amamentação, afirmações essas que, porém, não tinham qualquer estudo que as legitimasse. Depois, perante a reação que tais declarações criaram, passou-se a colocar a tónica na necessidade de aumentar a produtividade, como se esta não estivesse intimamente relacionada com as ferramentas colocadas à disposição dos trabalhadores ou com a sua formação, tudo ónus dos empregadores.
Sucede que, para além das licenças de amamentação, dos........
