Saramago e a guerra cultural
Quem não lê José Saramago não sabe o que perde. A extraordinária imaginação, a profundidade das personagens, a criatividade da escrita — eu sei lá. Acho que os críticos mais apaixonados, os que melhor conhecem a sua obra, nunca conseguiram sequer chegar perto de a elogiar o suficiente; que poderá dizer apenas mais um leitor, entre os muitos milhões espalhados pelo mundo fora?
Livros como O Ano da Morte de Ricardo Reis, A História do Cerco de Lisboa, Memorial do Convento ou Ensaio sobre a Cegueira são obras-primas, clássicos universais eternos, textos que podemos ler mil vezes e nos quais encontraremos sempre coisas novas, dimensões diferentes. Bem sei que já não somos o que fomos, que quando pegamos num livro que lemos há 20 ou 30 anos já não somos o mesmo leitor, mas os livros de Saramago têm tantas camadas, tantos mundos, tantas pontas por onde pegar, que parece que estamos a ler um livro novo, que afinal já estava dentro do........
