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Racismo? Sim, também sou culpado. Por Pedro Marques Lopes

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26.02.2026

Não vale a pena invocar a irracionalidade que o futebol provoca. Racismo é racismo, aconteça num estádio, numa rua, numa repartição pública, num post de rede social ou num ecrã televisivo.

A razão para o futebol abrir esta crónica reside, claro está, nos infelizes acontecimentos da semana passada e no que eles voltaram a mostrar sobre uma doença que demasiados não sentem e outros tantos fingem que não veem. 

Uma grande instituição, com enorme e indesmentível influência, como o Sport Lisboa e Benfica não condenou, sem mas, uma possível conduta racista dum seu jogador. Em vez de o fazer, dando obviamente nota de que iria investigar para apurar todos os factos, resolveu divulgar um vídeo sem pés nem cabeça onde basicamente se tenta provar que o jogador do Real Madrid, Vinícius, é um mentiroso. Entre defender a todo o transe um jogador − deixando-o, ainda para mais, sem margem de recuo para se retratar − e alinhar na defesa dos mais básicos direitos humanos e da mais elementar decência, a direção da instituição não hesitou: mandou às malvas a luta contra o racismo. Logo o Benfica que tem entre as suas maiores figuras pessoas negras.

O melhor treinador português de todos os tempos disse, por outras palavras, que o Vinícius mereceu o insulto porque exagerou na comemoração do golo que marcou. Como muita gente lembrou, um argumento a lembrar o “andas de minissaia, estás a pedi-las”. Não contente com esta boçalidade, lembrou-se de dizer que o melhor jogador da história do Benfica era negro, logo… qualquer semelhança com o conhecido “eu até tenho um amigo negro” não será........

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