A catástrofe e a propaganda
1. Repete-se há anos: a um acontecimento meteorológico extremo seguem-se as habituais consequências de horror e devastação.
Os terríveis incêndios, as cheias que tudo levam, as chuvas que nunca se viram, as temperaturas infernais fazem agora parte da vida das nossas comunidades.
Todos sabemos o que os provoca, ninguém ignora as suas consequências. Bom, não será bem assim. Não é preciso ir ao estrangeiro, nem escutar Trump, Bolsonaro e afins para ouvir discursos alucinados, feitos contra todo o conhecimento científico sobre o tema. Em Portugal, temos duas forças políticas que negam o aquecimento global e as alterações climáticas, o Chega e a IL. Aliás, o segundo e o terceiro classificados na corrida eleitoral tinham várias coisas que os uniam, uma delas o negacionismo climático.
Esta gente não só nega a ciência, como faz campanha ativa contra os grupos que denunciam o problema. Aliás, chamar problema às alterações climáticas é em si mesmo soçobrar ao discurso destes alucinados. O que está em causa é o maior desafio que uma comunidade pode enfrentar: a sua própria sobrevivência.
Há pouco tempo, o comentador televisivo Miguel Morgado comparou o ativismo climático às agressões que o ator Adérito Lopes sofreu às mãos de um grupo de neonazis.
Mas o ex-assessor do primeiro-ministro Passos Coelho está longe de estar sozinho. Os grupos de ativistas que tentam chamar a atenção para o evidente são tratados como autênticos terroristas. Os grupos de extrema-direita que fazem manifestações contra princípios básicos da democracia e da decência são infinitamente mais tolerados do que um bando de rapazes e raparigas que se prendem às grades dum ministério em protesto contra um qualquer atentado ao ambiente. Estes, aliás, têm direito a vários discursos indignados, até de pessoas que concordam com as coisas que eles defendem.
Um bom exemplo é a Greta Thunberg, que é uma espécie de saco de boxe da direita........
