Opinião | Os homens pedem menos ajuda. E pagam-no em anos de vida
Os portugueses vivem, em média, mais de cinco anos menos do que as portuguesas. Parte desta diferença não se explica apenas pela biologia: também conta a consulta adiada, o sintoma desvalorizado e uma prevenção que nem sempre consegue chegar a quem mais precisa.
Pedro Joel, CEO da Float Health
“Não é nada.” Esta é uma expressão muito utilizada pelos homens, seja perante uma dor que dura há meses, um cansaço que não passa ou as idas noturnas à casa de banho, que atribuem à idade. Às vezes, não é mesmo nada de grave. Outras vezes, há um problema de saúde que merecia atenção mais cedo. E essa diferença pode traduzir-se em tempo perdido.
Desvalorizar os sinais do corpo pode parecer inofensivo, mas os números mostram o contrário. Segundo as Tábuas de Mortalidade do INE divulgadas em maio deste ano, a esperança de vida à nascença em Portugal, no triénio 2023-2025, é de 78,99 anos para os homens e de 84,21 para as mulheres. São mais de cinco anos de diferença. Nem toda esta distância pode ser eliminada, porque existem fatores biológicos que influenciam a longevidade. Mas o fosso não é imutável: na última década, a esperança de vida dos homens aumentou 1,56 anos, contra 0,98 anos no caso das mulheres. Uma evolução que mostra que há margem para reduzir esta........
